Uma seleção de histórias que nos tocam de diferentes maneiras e que ficam com a gente muito tempo depois da última página.
Tem uma hora na vida, e quem chegou aos 40 sabe do que estamos falando, em que um livro deixa de ser entretenimento e passa a ser uma conversa. A personagem diz uma coisa e você pensa: “Espera, isso aconteceu comigo.”
Você fecha o livro, fica olhando para o teto e sente que alguém, em algum momento, escreveu exatamente o que você não tinha conseguido nomear.
É para esses momentos que existe esta lista. Não são livros de autoajuda. Não têm dez passos, não prometem virada em noventa dias. São livros que respeitam a complexidade de quem já viveu muitas coisas e quer viver mais.
Alguns vão te fazer chorar. Outros vão te fazer rir da situação. Um ou dois vão fazer as duas coisas ao mesmo tempo, o que mostra que a literatura é um bálsamo para a alma e o coração. Histórias de personagens que estão passando por momentos únicos, aqueles tipos de momentos em que sentimos, mesmo que ninguém nos diga: “Depois disso, nada mais será como antes”.
E é para nos resgatar no meio de tantas perguntas, de tantas incertezas que a literatura vem nos acompanhar nas travessias que fazemos, mesmo, às vezes, sem sabermos.
“Livros não mudam o mundo. Livros mudam pessoas e as pessoas mudam o mundo”. (Mário Quintana).
Livro 1

As vitoriosas
Laetitia Colombani
Soléne é uma advogada bem-sucedida que entra em colapso após presenciar o suicídio de um cliente. Por recomendação médica, para ajudar em sua recuperação, ela começa a fazer um trabalho voluntário no “Palais de la Femme”, um local que abriga mulheres em situações de extrema vulnerabilidade. A história de Soléne é atravessada pela de Blanche, que, décadas antes dedicou sua vida para ajudar mulheres e crianças desamparadas e foi a principal responsável pela criação do Palais.
Duas histórias, duas mulheres que mudaram seus destinos e os destinos de outras pessoas, mesmo quando tudo parecia impossível.
Esse livro fala de novos começos e de como podemos viver as nossas vidas cumprindo aquilo que esperam de nós, ou, de como podemos optar por abraçarmos nossa verdade e cumprirmos nossos desejos, deixando nossa marca no mundo.
Livro 02

A vida invisível de Eurídice Gusmão
Martha Batalha
O Brasil dos anos 1950. Duas irmãs cariocas com destinos que a vida e a sociedade da época irão separar de formas brutais e silenciosas. Eurídice tem talento, inteligência e ambição. Mas tem também um casamento, uma casa e uma época que não sabia o que fazer com mulheres assim. Não tem a coragem para romper com o que esperam dela e vive dias de angústia muda, de falso sentido, com um falso conformismo. Ela poderia ser mais. Ela queria ser mais. Será que é tarde?
De outro lado, a irmã de Eurídice, Guida, segue seus sonhos, mas, é esmagada pela realidade da época e precisa enfrentar preconceitos, violências e necessidades para seguir a vida.
Um livro que nos faz pensar em como podemos viver as nossas vidas como coadjuvantes e não como protagonistas.
Livro 03

Meu braço esquerdo
Viviane Mosé
Viviane Mosé é filósofa, psicóloga e poeta. Neste livro, ela escreve sobre autocuidado, marcas profundas da infância, separação e de como a vida continua e se ressignifica. A escrita de Mosé é uma mistura de prosa e poesia e passa por temas delicados e profundos, sempre com sensibilidade e um olhar atento às diferentes formas de lidarmos com o luto, com as perdas e com as descobertas da vida.
Livro 04

A Filha Perdida
Helena Ferrante
Como se perdoar por algo que dizem, ser imperdoável? Como assumir que, pelo menos por um período, uma mulher se colocou como prioridade dentro de sua própria vida? Leda é uma professora de 50 anos que resolve passar as férias na costa italiana, após suas duas filhas, já adultas, mudarem-se para o Canadá, para morarem com o pai. Durante as férias ela se depara com uma família que a faz lembrar-se de sua mãe, irmãos e parentes e, no meio desse grupo, uma jovem mãe com sua filha. Observando a dinâmica dessas pessoas, Leda volta ao passado, quando suas filhas eram crianças e, aos poucos, conhecemos sua história e nos perguntamos se ela foi, ou é, feliz.
A Filha Perdida fala sobre a idealização da maternidade, sobre realização pessoal e profissional e sobre vivenciar as consequências de nossas escolhas.
Livro 05

Se eu soubesse: para maiores de 40
Fabrício Carpinejar
Carpinejar é um poeta que fala sobre a vida e sobre as grandes e pequenas complexidades do ser humano.
Neste livro ele aborda temas como experiências, infância, relacionamentos, perdas e lutos e fala como podemos e devemos viver a maturidade sem tanto saudosismo, sem lamentar o tempo que se foi, sabendo que ainda há muito a ser construído e vivido.
Um livro direto e honesto, que faz com que fiquemos com aquela inquietação boa depois de termos sido “cutucados” e tirados da nossa zona de conforto.