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O que ninguém te contou sobre aprender depois dos 40

Lifelong Learning 40+

O cérebro humano não tem data de validade e,  agora, pode ser o momento ideal para continuar aprendendo

Existe uma ideia de que aprender tem prazo de validade, de que o auge é lá nos 20 e poucos anos e que, depois disso, a gente só administra o que já sabe.

No entanto, quem chegou aos 40 anos intui o que a ciência já descobriu: a história não é bem essa.

Em 2015, os pesquisadores Joshua Hartshorne e Laura Germine publicaram na revista Psychological Science um estudo que contrariou décadas de senso comum.

Analisando dados de cerca de 50 mil participantes online e registros de testes de QI de décadas anteriores, eles concluíram algo que parecia improvável: não existe um único pico cognitivo. Habilidades diferentes atingem seu auge em momentos completamente distintos da vida e algumas das mais sofisticadas, como vocabulário, reconhecimento de emoções e raciocínio baseado em experiência atingem o ápice entre os 40 e os 60 anos

Não é difícil perceber se levarmos em conta que, agora, há pesquisas sólidas que apontam que o cérebro só atinge seu pleno desenvolvimento aos 25 anos e que a adolescência só terminaria nessa faixa etária, (ah… se soubéssemos disso antes…).

Com a maturidade, a profundidade aumenta, mesmo que, algumas vezes, a velocidade de raciocínio não seja a mesma. Há mais bagagem para lidar com as situações, mais formas de enxergar um problema e encontrar a solução.

O ponto de virada pode vir depois dos 40

Quando Isabel Allende começou a escrever, tinha mais de 40 anos;  Vera Wang entrou na moda na mesma idade.

Charles Darwin publicou sua obra mais revolucionária aos 50 e Donald Fisher abriu sua primeira loja com mais de cinco décadas de vida.

Não eram apenas recomeços, eram continuações com repertório sólido.

Aprender ao longo da vida, o chamado Lifelong Learning, não é voltar para a sala de aula (mas se quiser, também pode). É ter uma postura questionadora, é testar o que aprende e aprender com outras pessoas, mas, acima de tudo, é aceitar que você ainda está em construção.

E essa construção não é apenas profissional.

  • Não sabe nadar? Que tal aprender?
  • Seu sonho sempre foi tocar guitarra? O que está esperando?
  • Tem vontade de fazer uma transição de carreira? Vá em frente.

Com a maturidade muitas vezes percebemos que o nosso propósito, tão claro aos 20 anos, mudou aos 40, 50.

É muito mais fácil conquistar aquilo que se quer com uma postura aberta a novas experiências, a novos conhecimentos.

Os 4 pilares do Lifelong Learning

  • Aprender a conhecer
    Desenvolver pensamento crítico. Não é só consumir informação: é questionar, interpretar e entender.
  • Aprender a fazer
    Colocar em prática. Conhecimento só se consolida quando vira ação.
  • Aprender a conviver
    Aprender com o outro. Trocas, escuta e diversidade ampliam repertório.
  • Aprender a ser
    Assumir o próprio desenvolvimento. Evolução contínua, com autonomia e consciência.

A virada não é começar de novo. É continuar e se permitir ser diferente.

Existe uma pressão por coerência, por nos mantermos na mesma estrada em que começamos. Mas, a estrada não é mais a mesma porque nós não somos mais os mesmos. Nós mudamos, o caminho mudou e, muitas vezes o destino, também.

Há um tipo de inteligência que só aparece com o tempo, uma capacidade de conectar experiências, de fazer escolhas menos impulsivas e de sustentar processos mais longos.

Isso só é possível quando temos disponibilidade para aprendermos com os processos, com as experiências e com as pessoas, além de conosco mesmos e essas habilidades não são definidas pela data de nascimento.