Dezesseis anos atrás, se alguém me dissesse que eu seria feliz morando no campo, provavelmente receberia uma gargalhada como resposta.
Eu? A paulistana acostumada com a vida cosmopolita?
Acostumada a ter supermercado 24 horas, delivery de qualquer tipo de cozinha, e outras coisinhas a mais que a grande cidade oferece.
Era tão acostumada, que nem escutava quão barulhenta era a rua onde eu vivia.
Mas a vida tem planos melhores que os nossos.
Hoje, meu home office é olhando para estes campos. Aqui é o lugar onde vivo o que chamo de meu “slow living”.
Mesmo com dias de 10 horas na frente desta tela, consigo minhas pausas de café sob o sol.
Para mim, isso é felicidade.
Tenho até hashtag para isso: #magicmoments
Viver nos dias de hoje é desafiador.
Se em 2015 Tony Crabbe, psicólogo e autor do livro Busy: How to Thrive in a World of Too Much, já alertava que vivíamos ocupados demais para pensar, imagine em 2025 — quando estar constantemente disponível virou quase obrigação, e a escassez de tempo virou medalha de honra.
Hoje, desacelerar virou meu jeito de voltar para mim — e de fazer escolhas com intenção.
Por isso prezo tanto poder viver nesse modo mais lento.
Desacelerar é o que desperta a minha criatividade e me estimula a desenvolver novos conceitos e ideias.
Meus momentos “a-ha” acontecem justamente quando não tenho que produzir nada:
vendo um quadro em um museu, caminhando na natureza, no banho.
E isso direciona minhas vontades para o que, para mim, tem sentido:
↳Fazer coisas que me dão prazer e não por obrigação.
↳Ter clientes de quem gosto e que gostam de mim.
↳Falar o que eu acredito, mesmo que seja nadar contra a corrente.
↳ Descobrir novas coisas que me inspiram.
E aproveito para cantar com Lenine:
Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para
Enquanto o tempo acelera
E pede pressa
Eu me recuso, faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara
Hoje, vejo que morar no campo não foi só uma mudança de endereço — foi uma escolha que traduz meu posicionamento: viver o que faz sentido — no trabalho, na vida, nas relações.
Porque estar presente não é estar em todos os lugares.
É estar inteira onde se escolhe estar.
PS: Quais são seus #magicmoments e onde você os encontra no seu dia a dia?