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Climatério: o desafio das mulheres 40+ no mercado de trabalho

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Quando a maturidade feminina encontra o auge da carreira e desafia o mercado a evoluir

A mulher vive hoje um novo cenário no mercado de trabalho: um terço de sua vida é fora do período fértil. A fase, chamada de climatério, vem acompanhada de diversos sintomas físicos e emocionais, que impactam a qualidade de vida e desencadeiam oportunidades em diferentes segmentos.

Mesmo sendo extremamente comum, a menopausa é considerada tabu por muitas pessoas, inclusive, organizações. Um ambiente de trabalho adequado, com políticas que auxiliem as mulheres, pode tornar o período mais leve e acolhedor.

De acordo com o Censo 2024 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida da população feminina chegou a 79,9 anos, enquanto para a população masculina a idade foi de 73,3 anos.  Isso significa que mais de 1,2 bilhão de mulheres estarão na menopausa ou pós-menopausa até 2030, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Portanto, as oportunidades estão aí! Produtos e serviços como cosméticos, medicamentos, plataformas de saúde, podcasts, eventos, palestras, roupas, alimentos e até programas sobre menopausa não param de surgir.

Empresas que acompanham as estatísticas e entendem quem são a sua força de trabalho, conseguirão sair na frente para oferecer benefícios ou alternativas adequados para amenizar todas essas mudanças que ocorrem com o corpo feminino. 

O tema “menopausa” está entre os assuntos mais discutidos nos grandes mercados globais emergentes, unindo saúde, ciência e tecnologia, para proporcionar novas formas de consumo.

Os sintomas são muito individuais de mulher para mulher: tem gente que enfrenta muitos desconfortos, mas há quem não sinta nada. Sem contar os recortes raciais e de renda que a população vive sem acesso aos tratamentos adequados.

Uma reflexão importante de se fazer é: as mulheres chegam na menopausa geralmente quando estão no ápice profissional. Por que elas devem perder esse momento após anos construindo uma carreira?!

O climatério tem início por volta dos 40 anos e se estende em média até os 65 anos. Esse é o momento em que muitas mulheres estão assumindo ou até recusando cargos de liderança justamente por estarem vivendo diferentes sintomas desde cansaço, calores intensos à depressão.

Empresas que já entenderam…

  • A No Pausa ajuda empresas a desenharem políticas voltadas para a menopausa no ambiente corporativo.
  • A TIM Brasil lançou um programa focado em conversas, letramento sobre climatério e acompanhamento próximo para mulheres nessa fase.
  • O Banco da Irlanda oferece licença remunerada de 10 dias por ano para funcionárias com sintomas físicos ou psicológicos relacionados à menopausa.
  • A britânica ASOS anunciou que suas funcionárias teriam flexibilidade no trabalho e poderiam pedir licença sem aviso prévio ou trabalhar de casa.
  • A Quaker Houghton mudou o tecido dos uniformes das mulheres nas fábricas e criaram políticas que permitem que as funcionárias tenham flexibilidade no trabalho durante os sintomas.

Essas são apenas algumas organizações que já criaram políticas e programas pensando no bem-estar da mulher e, claro, nos impactos positivos que geram para a produtividade.  

Envelhecer é um processo natural a todos os seres vivos. A executiva Erica Barbagalo, head jurídica da Bayer, defende fazer as pazes com o tema, que atravessa a vida das mulheres assim como a puberdade e, para algumas, a maternidade. “A menopausa é mais um ciclo e tem que ser encarada desta forma: sem mitos, vergonhas e tabus que sempre existiram, mas que minha geração está ajudando a quebrar.” 

Por isso, você, mulher 40+, não desanime. O mercado de trabalho está fazendo a viragem! Busque conhecimento e boas conversas com líderes e liderados, afinal, ninguém precisa abrir mão de mulheres maduras e experientes. 

Foto: Freepick